A recuperação começa antes da cirurgia
Boa parte do que acontece nos dias seguintes ao procedimento é definida antes dele. Na avaliação, o oftalmologista já orienta sobre o afastamento de lentes de contato, o preparo da superfície ocular, o que levar no dia e, principalmente, quem vai acompanhar o paciente na volta para casa, já que ninguém deve dirigir depois da cirurgia.
Vale também combinar a agenda com antecedência. Saber de quantos dias você vai precisar longe de determinadas atividades evita a pressa que costuma atrapalhar o pós-operatório.
As primeiras 24 horas
Logo após o procedimento é normal sentir ardência, lacrimejamento, sensação de areia no olho e sensibilidade à luz. A visão fica embaçada, como se houvesse uma névoa, e isso não é sinal de problema, é parte esperada do processo.
A orientação mais comum para esse primeiro dia é simples e vale mais do que parece: descansar de olhos fechados, em ambiente de pouca luz, evitar telas e não coçar o olho em hipótese alguma. O ato reflexo de esfregar é o principal risco dessa fase, especialmente em quem fez LASIK, porque a lamela ainda está se acomodando.
Como a recuperação difere entre LASIK e PRK
No LASIK, o desconforto costuma se concentrar nas primeiras horas e a visão tende a melhorar rapidamente. Muitos pacientes já percebem melhora significativa no dia seguinte, e o retorno às atividades habituais acontece em poucos dias, conforme liberação médica.
No PRK, o caminho é mais gradual porque existe uma superfície em cicatrização. Os primeiros três a cinco dias tendem a ser mais desconfortáveis, com uso de lente de contato terapêutica, e a visão vai clareando ao longo de semanas até estabilizar. Não é uma recuperação pior, é uma recuperação com outro ritmo, e saber disso de antemão faz diferença na experiência do paciente.
Colírios e cuidados prescritos
O uso dos colírios é a parte mais importante do pós-operatório. Normalmente são prescritos colírios com finalidades diferentes, em horários próprios, e a orientação precisa ser seguida à risca, inclusive nos dias em que o olho já parece bem. Manter as mãos limpas antes de pingar e não encostar a ponta do frasco no olho são cuidados básicos que evitam complicação.
Nenhum colírio de uso anterior deve ser retomado por conta própria, e nenhum medicamento novo deve ser introduzido sem falar com a clínica.
Quando voltar ao trabalho, à academia e à praia
Os prazos variam conforme a técnica, o caso e a atividade, e quem define é o médico no retorno. Como referência do que costuma ser orientado: trabalho de escritório e uso de telas retornam em poucos dias, com pausas frequentes e uso de lubrificante ocular; atividade física leve costuma ser liberada antes de esportes intensos; academia com peso, esportes de contato, piscina, mar, sauna e maquiagem nos olhos ficam suspensos por um período maior.
Sol forte pede óculos escuros com proteção ultravioleta, especialmente depois do PRK, em que a exposição sem proteção pode interferir na cicatrização.
As consultas de retorno e o que o médico avalia
Os retornos são marcados em intervalos definidos, começando no dia seguinte à cirurgia. Neles o oftalmologista avalia a cicatrização, mede a visão, verifica a pressão ocular e a lubrificação da superfície, e ajusta a prescrição conforme a evolução.
Esses retornos não são formalidade. É neles que uma alteração pequena é identificada cedo, quando a conduta é simples. Faltar a um retorno porque o olho está bom é justamente o que se deve evitar.
Sinais que pedem contato imediato com a clínica
Alguns sinais merecem contato no mesmo dia, sem esperar o retorno agendado: dor intensa que não cede, piora súbita da visão depois de já ter melhorado, vermelhidão que aumenta em vez de diminuir, secreção, ou a sensação de que algo se deslocou dentro do olho após um trauma ou depois de esfregar.
Na dúvida, o caminho certo é ligar para a unidade. Nenhuma pergunta sobre pós-operatório é exagerada, e é sempre melhor avaliar do que esperar para ver.
Por que cada recuperação é diferente
Duas pessoas operadas no mesmo dia, com a mesma técnica, podem ter experiências distintas. A cicatrização depende da superfície ocular de cada um, do grau corrigido, da idade, do grau de olho seco prévio e até da rotina de trabalho. Comparar a própria recuperação com a de outra pessoa gera ansiedade desnecessária. O parâmetro que vale é o que o seu médico observa nos seus retornos.
No Banco de Olhos de Joinville, cada pós-operatório é acompanhado individualmente pela equipe, com retornos programados e canal aberto com a unidade para dúvidas ao longo do processo.
Perguntas frequentes
Quanto tempo depois da cirurgia eu já enxergo bem?
Depende da técnica e do caso. No LASIK a melhora costuma ser mais rápida, e no PRK acontece de forma gradual ao longo de semanas. O médico acompanha essa evolução nos retornos.
Posso usar o celular no dia seguinte?
Uso de telas costuma ser liberado com moderação nos primeiros dias, com pausas e lubrificação conforme orientação. Longas sessões seguidas devem ser evitadas nessa fase.
É normal sentir o olho seco depois da cirurgia?
Sim, é uma queixa comum no período de recuperação e costuma ser tratada com lubrificantes prescritos. A evolução é acompanhada nos retornos.
Vou precisar usar óculos depois?
Isso depende do caso e é conversado antes da cirurgia, com base nos seus exames. Algumas pessoas continuam usando óculos para atividades específicas, como leitura, dependendo da idade e do olho.