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LASIK ou PRK: A Diferença Entre as Técnicas de Cirurgia Refrativa

O que a cirurgia refrativa corrige

A cirurgia refrativa é o conjunto de procedimentos a laser que modificam a curvatura da córnea para corrigir erros de refração, ou seja, o grau. Ela é usada para miopia, hipermetropia e astigmatismo, isolados ou combinados. O princípio é o mesmo em todas as técnicas: remodelar a superfície da córnea com um laser de altíssima precisão para que a luz volte a focar corretamente na retina.

Antes de qualquer decisão sobre técnica, é importante entender que a cirurgia refrativa não é uma escolha de catálogo. Ela depende de exames que medem a córnea em detalhe, e existem casos em que a indicação é uma técnica específica, e casos em que nenhuma delas é indicada.

Como funciona o LASIK

No LASIK, o cirurgião cria uma lamela muito fina na camada superficial da córnea, uma espécie de tampa que é levantada. O laser é aplicado na camada intermediária, o estroma, e em seguida a lamela é reposicionada no lugar, funcionando como um curativo natural, sem necessidade de pontos.

Como a camada mais externa da córnea, o epitélio, é preservada nessa manobra, o desconforto no pós-operatório costuma ser menor e a recuperação visual tende a ser mais rápida, com muitos pacientes já enxergando bem no dia seguinte. Em contrapartida, o LASIK consome mais tecido em profundidade, o que faz da espessura da córnea um critério decisivo.

Como funciona o PRK

No PRK não se cria lamela. O epitélio, aquela camada mais superficial, é removido, o laser é aplicado diretamente sobre a superfície da córnea e o epitélio se regenera naturalmente nos dias seguintes, protegido por uma lente de contato terapêutica.

Como existe uma superfície em cicatrização, o desconforto nos primeiros dias é maior que no LASIK e a visão leva mais tempo para estabilizar, geralmente algumas semanas. Em compensação, o PRK preserva mais tecido corneano em profundidade e não envolve lamela, o que o torna a alternativa indicada em várias situações em que o LASIK não é seguro.

Os critérios que definem a indicação

A escolha entre uma técnica e outra não é preferência do paciente, é indicação médica, e ela se apoia em alguns pontos objetivos.

O primeiro é a espessura e a topografia da córnea. Córneas mais finas ou com curvaturas irregulares reduzem a margem de segurança do LASIK, e nesses casos o PRK costuma ser o caminho. O segundo é a estabilidade do grau: espera-se que a refração esteja estável por um período antes da cirurgia, o que normalmente coloca a idade mínima em torno dos dezoito a vinte e um anos, sempre com avaliação individual. O terceiro é a rotina e a atividade da pessoa, já que quem pratica esportes de contato ou trabalha em ambientes com risco de trauma no olho pode se beneficiar de uma técnica sem lamela.

Entram ainda na conta a saúde da superfície ocular, com atenção especial ao olho seco, a ausência de doenças que contraindiquem o procedimento e a expectativa do paciente, que precisa ser conversada com clareza antes da cirurgia.

O que muda na recuperação de cada técnica

No LASIK, o incômodo maior costuma se concentrar nas primeiras horas e a visão tende a melhorar rapidamente, com retorno às atividades em poucos dias, conforme orientação médica. No PRK, os primeiros três a cinco dias costumam ser mais desconfortáveis, com sensação de areia e sensibilidade à luz, e a visão vai clareando ao longo de semanas.

Em ambos os casos, o uso correto dos colírios prescritos, a proteção contra sol e a manutenção dos retornos são o que sustenta uma boa evolução. Trataremos o pós-operatório em detalhe em um artigo específico sobre recuperação.

E as outras siglas que você vai encontrar

Ao pesquisar sobre o assunto é comum esbarrar em outros nomes. Alguns são variações da mesma família de técnicas a laser, com diferenças no modo de preparar a superfície ou no equipamento utilizado. Outros pertencem a um grupo diferente de procedimentos, como as lentes intraoculares fácicas, que não usam laser na córnea e sim implantam uma lente adicional dentro do olho, alternativa considerada em graus muito altos ou em córneas que não permitem o laser.

A existência de várias opções não deve virar fonte de ansiedade. O caminho prático é o mesmo em todos os casos: fazer os exames, entender o que a sua córnea permite e discutir com o médico as alternativas que se aplicam ao seu olho, e não todas as que existem no mercado.

Situações em que a cirurgia não é indicada

Existem contraindicações, e elas são levadas a sério. Grau que ainda está mudando, córnea fina ou com sinais de ceratocone, olho seco importante não controlado, algumas doenças autoimunes, gestação e amamentação são exemplos de situações em que a cirurgia é adiada ou descartada. Parte dessas condições é temporária, e o paciente pode ser reavaliado depois.

Por isso, o exame que define se alguém é candidato não é a consulta de rotina: é uma avaliação específica para cirurgia refrativa, com exames próprios da córnea.

Como é a avaliação no Banco de Olhos

No Banco de Olhos de Joinville, a avaliação para cirurgia refrativa inclui a medida do grau em condições controladas, exames de córnea e a análise da superfície ocular. A partir desse conjunto, o oftalmologista explica se existe indicação, qual técnica se aplica ao caso e o que esperar de cada etapa. A conversa sobre a escolha entre LASIK e PRK acontece com os exames na mesa, e não antes deles.

Vale reservar tempo para essa consulta. Ela costuma ser mais longa que uma consulta de rotina, envolve exames que exigem preparo, como a suspensão do uso de lentes de contato nos dias anteriores, e é o momento de trazer todas as dúvidas, inclusive as práticas: quantos dias você precisará se afastar, como fica a rotina de trabalho e o que muda na sua atividade física. Sair da avaliação com essas resXXXXas é tão importante quanto sair com a indicação técnica.

Perguntas frequentes

LASIK é melhor que PRK?

Nenhuma das duas é melhor em termos absolutos. São técnicas com perfis diferentes, e a mais adequada é a que os exames da sua córnea indicam. Em muitos casos os dois caminhos são possíveis, e em outros apenas um deles é seguro.

Qual a idade mínima para fazer a cirurgia?

Em geral a partir dos dezoito anos, desde que o grau esteja estável há um período considerado adequado pelo médico. A idade isolada não define a indicação.

A cirurgia refrativa serve para vista cansada?

A presbiopia, conhecida como vista cansada, tem abordagens próprias e é avaliada separadamente. É um tema que precisa ser discutido em consulta, porque depende da idade e das características de cada olho.

Preciso parar de usar lente de contato antes dos exames?

Sim. A lente de contato altera temporariamente a curvatura da córnea, e é preciso um período sem uso antes dos exames para que as medidas sejam confiáveis. A clínica orienta o prazo de acordo com o tipo de lente que você usa.

Dr. Daniel Gielkop Formiga

Revisão técnica
Dr. Daniel Gielkop Formiga
Médico oftalmologista · CRM 18190/SC
Integra o corpo clínico do Banco de Olhos de Joinville, referência em oftalmologia em Santa Catarina há mais de 45 anos.