O que é o Setembro Verde
Setembro Verde é a campanha nacional de conscientização sobre doação de órgãos e tecidos, e tem no dia 27 de setembro a sua data central, o Dia Nacional de Doação de Órgãos. A córnea é um dos tecidos que podem ser doados, e o transplante de córnea é um dos procedimentos que mais devolvem visão no país.
Para o Banco de Olhos de Joinville, essa não é uma data de calendário: é a atividade que dá nome à instituição há mais de quatro décadas.
O que é a córnea e quando o transplante é indicado
A córnea é a camada transparente na frente do olho, aquela que a luz atravessa primeiro. Quando ela perde transparência ou deforma, por doença, infecção, trauma ou alterações como o ceratocone em estágio avançado, a visão fica comprometida mesmo que o restante do olho esteja saudável.
Nesses casos, o oftalmologista pode indicar o transplante, que substitui a córnea comprometida, total ou parcialmente, por tecido de um doador. A indicação é sempre individual e depende do quadro clínico de cada paciente.
O que é um banco de olhos e qual o seu papel
Um banco de olhos é o serviço responsável por receber, avaliar, preservar e distribuir as córneas doadas. Ele funciona como o elo técnico entre a doação e o transplante: não é o banco que escolhe o paciente, e não é o hospital que guarda o tecido.
O trabalho envolve equipe de captação disponível para atender as notificações, laboratório para avaliação do tecido, controle rigoroso de temperatura e prazos de preservação, e registro de toda a rastreabilidade do processo. Cada córnea tem sua origem, sua avaliação e seu destino documentados.
Como uma córnea é captada e avaliada
O processo começa com a notificação de um potencial doador e a autorização formal da família. A captação é feita por equipe treinada, em procedimento que preserva a aparência do doador, ponto que costuma preocupar as famílias e que merece ser dito com clareza.
Em seguida vem a etapa de avaliação. São feitos exames sorológicos e a análise do tecido em laboratório, incluindo a contagem de células e a verificação da transparência. Nem toda córnea captada é liberada para transplante: quando os critérios técnicos não são atendidos, o tecido não é utilizado. Esse rigor é o que garante a segurança de quem recebe.
Como o paciente entra na fila de transplante
O paciente que precisa de transplante é inscrito pelo médico na lista única de espera, gerenciada pela Central de Transplantes do estado. A distribuição segue critérios técnicos definidos em regulamentação nacional, como compatibilidade, tempo de espera e gravidade do caso.
Não existe possibilidade de escolher um doador, de antecipar posição ou de negociar tecido. A fila é única e a alocação é feita pelo sistema estadual, o que torna o processo transparente e igual para todos.
Quem pode ser doador
A doação de córnea tem critérios mais amplos do que muita gente imagina. Uso de óculos, grau alto, cirurgia de catarata prévia e idade avançada não impedem a doação por si só. A avaliação de cada caso é feita pela equipe técnica no momento da captação, considerando as condições do tecido e o histórico de saúde.
Existem, por outro lado, situações que contraindicam a doação, como algumas infecções ativas e determinadas doenças. Quem define isso é a equipe do banco de olhos, com base em protocolo. Por isso a orientação é não descartar a possibilidade por conta própria.
A conversa com a família: o passo que decide
No Brasil, a doação depende da autorização da família. Não existe registro em documento que substitua essa decisão, e é por isso que a conversa em vida é o passo mais importante de todos.
Famílias que já sabiam do desejo do seu ente querido decidem com muito menos angústia, num momento em que qualquer decisão é difícil. Dizer em voz alta, num jantar comum, que você gostaria de ser doador é o gesto que realmente viabiliza a doação. Falar sobre o assunto não aproxima a morte, apenas prepara quem fica.
47 anos de captação em Santa Catarina
O Banco de Olhos de Joinville atua há 47 anos na região, com unidade dedicada à captação e ao armazenamento de córneas. Esse histórico é o que sustenta a estrutura técnica necessária para um serviço que precisa funcionar com precisão e com prazos curtos.
Para quem quiser entender melhor o processo, tirar dúvidas ou saber como manifestar a intenção de doar, a equipe está disponível para conversar.
Perguntas frequentes
Quem usa óculos pode doar córnea?
Sim. Grau, uso de óculos ou de lentes de contato não impedem a doação. A avaliação técnica é feita pela equipe no momento da captação.
A doação altera a aparência do doador?
Não. A captação é feita por equipe treinada, com técnica que preserva a aparência, e o velório acontece normalmente.
Existe custo para a família do doador?
Não. A doação é um ato gratuito e voluntário, e a legislação brasileira proíbe qualquer forma de comercialização de órgãos e tecidos.
Como faço para registrar que quero ser doador?
O passo essencial é comunicar a sua vontade à família, porque é ela quem autoriza a doação no momento necessário. Deixar isso claro em conversa é mais eficaz do que qualquer registro em documento.