O que é a catarata e por que ela pede cirurgia
A catarata é a perda de transparência do cristalino, a lente natural que fica dentro do olho e é responsável por focar a imagem na retina. Quando essa lente vai ficando opaca, a luz passa com dificuldade e a visão fica progressivamente turva, com halos ao redor de luzes à noite, sensibilidade à claridade e cores que parecem menos vivas. Na maioria dos casos, o processo é ligado ao envelhecimento e acontece devagar, ao longo de anos.
Não existe colírio, óculos ou medicamento que devolva a transparência ao cristalino. O único tratamento é cirúrgico, e consiste em retirar o cristalino opaco e colocar em seu lugar uma lente artificial. É por isso que a catarata é considerada a principal causa de perda de visão reversível no mundo: o tratamento existe e é bem estabelecido.
Quando o médico indica a cirurgia
A indicação não é feita apenas pelo grau de opacidade que aparece no exame. O que costuma pesar mais é o quanto a visão já interfere na rotina da pessoa. Dificuldade para dirigir à noite, para ler, para reconhecer rostos, para descer escadas com segurança ou para trabalhar são sinais de que a catarata deixou de ser um achado de exame e passou a limitar a vida.
Esse momento varia bastante de uma pessoa para outra, e é uma decisão conversada entre o paciente e o oftalmologista. Existem, no entanto, situações em que o médico pode indicar a cirurgia mais cedo, como quando a catarata dificulta o acompanhamento de outra doença do fundo do olho.
A avaliação e os exames que antecedem a cirurgia
Antes de qualquer procedimento, é feita uma avaliação oftalmológica completa. Ela verifica a saúde do olho como um todo, e não só o cristalino, porque outras condições como glaucoma, alterações de retina ou olho seco influenciam tanto a técnica quanto o que se pode esperar do resultado.
Entre os exames mais comuns dessa etapa estão a biometria, que mede o olho para calcular o grau da lente que será implantada, a topografia da córnea, a microscopia especular e a avaliação do fundo de olho. É esse conjunto que permite ao médico planejar a cirurgia caso a caso, inclusive definindo o tipo de lente intraocular mais adequado para aquele olho.
O dia da cirurgia: anestesia, duração e ambiente
A cirurgia de catarata é feita em centro cirúrgico, em regime de hospital dia, o que significa que o paciente chega, é operado e vai para casa no mesmo dia. Não é necessário internação, e na maior parte dos casos a anestesia é feita com colírio anestésico, às vezes associada a uma sedação leve para deixar o paciente mais tranquilo. O paciente permanece acordado durante o procedimento, sem sentir dor.
O tempo dentro da sala cirúrgica costuma ser curto, geralmente inferior a meia hora, embora o tempo total de permanência na clínica seja maior por causa do preparo e da observação depois. Quando os dois olhos precisam ser operados, isso é feito em datas separadas, respeitando o intervalo que o médico julgar adequado.
Facoemulsificação: a técnica usada hoje
A técnica mais utilizada atualmente é a facoemulsificação. O cirurgião faz uma incisão muito pequena na córnea e introduz um instrumento que emite ultrassom. Esse ultrassom fragmenta o cristalino opaco em partículas minúsculas, que são aspiradas pelo mesmo instrumento. A cápsula que envolvia o cristalino é preservada, e é dentro dela que a lente intraocular será posicionada.
Como a incisão é pequena, na maioria dos casos ela se fecha sozinha, sem necessidade de pontos. É essa característica que tornou a cirurgia de catarata um procedimento ambulatorial, com recuperação mais rápida do que a de décadas atrás, quando a técnica exigia cortes maiores.
A lente intraocular que substitui o cristalino
Depois da remoção do cristalino, uma lente intraocular é implantada. Ela é dobrável, entra pela mesma incisão pequena e se abre já na posição correta. Essa lente é permanente e não precisa ser trocada nem tem prazo de validade.
Existem tipos diferentes de lente, e a escolha depende do exame de cada olho, da presença de astigmatismo e da rotina do paciente. Esse é um assunto que merece uma conversa detalhada na consulta, e que tratamos em um artigo específico sobre lentes intraoculares.
Os primeiros dias de recuperação
Nos primeiros dias é comum sentir uma leve sensação de areia no olho, algum lacrimejamento e sensibilidade à luz. O uso dos colírios prescritos no horário certo é a parte mais importante do pós-operatório, junto com evitar coçar o olho, esforço físico intenso, piscina e mar durante o período orientado pelo médico.
A melhora da visão costuma começar nos primeiros dias, mas a estabilização acontece ao longo de algumas semanas, e o ritmo varia de pessoa para pessoa. As consultas de retorno servem justamente para acompanhar essa evolução e ajustar o que for necessário. Em algumas situações o paciente continua usando óculos para determinadas atividades depois da cirurgia, e isso é conversado antes do procedimento.
Particular, convênio e SUS no Banco de Olhos
O Banco de Olhos de Joinville realiza a avaliação e a cirurgia de catarata em atendimento particular, por convênio e pelo SUS, com estrutura de centro cirúrgico própria e mais de quatro décadas de atuação em oftalmologia na região. O primeiro passo é sempre a consulta de avaliação, que define se existe indicação cirúrgica, qual a melhor conduta e em que momento.
Perguntas frequentes
A cirurgia de catarata dói?
O procedimento é feito com anestesia, geralmente por colírio, e o paciente não sente dor durante a cirurgia. No pós-operatório pode haver desconforto leve nos primeiros dias, controlado com as orientações médicas.
Preciso ficar internado?
Não. A cirurgia é feita em regime de hospital dia, e o paciente vai para casa no mesmo dia, acompanhado por alguém.
Dá para operar os dois olhos no mesmo dia?
O habitual é operar um olho de cada vez, com um intervalo entre os procedimentos definido pelo oftalmologista de acordo com a evolução do primeiro olho.
A catarata pode voltar depois da cirurgia?
A catarata em si não volta, porque o cristalino foi removido. Algumas pessoas apresentam, meses ou anos depois, uma opacificação da cápsula que sustenta a lente, situação conhecida e resolvida em consultório com um procedimento a laser rápido. É um dos pontos avaliados nos retornos.